O Canto da Asa BrancaJosé Gomes Correia

Uma obra resgatada do tempo

Há histórias que merecem continuar vivas.

O Canto da Asa-Branca Fatos da minha vida e histórias que ouvi contar

Uma viagem pelas memórias de José Gomes Correia — fatos de sua vida, causos ouvidos e retratos de um sertão que ainda vive em cada página.

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Capa do livro O Canto da Asa-Branca, de José Gomes Correia
Edição online
resgatada e preservada

Uma obra rara, agora ao seu alcance

Poucos tiveram a oportunidade de conhecer estas histórias.
Agora, você pode ser um deles.

Durante mais de três décadas, O Canto da Asa Branca permaneceu praticamente inacessível.

Sua primeira edição teve apenas três ou quatro exemplares, destinados a pessoas próximas do autor. Não chegou às livrarias, não foi distribuída e quase desapareceu com o passar do tempo.

O que torna esta obra especial não é apenas sua raridade, mas aquilo que ela preserva: histórias reais, personagens marcantes, aventuras, costumes e lembranças de um sertão profundamente transformado pelo tempo.

Ao adquirir este livro, você não estará apenas começando uma leitura. Estará entrando em contato com um testemunho autêntico, escrito por quem viveu muitos dos acontecimentos e dedicou mais de dez anos a pesquisar e registrar outros.

Esta é a oportunidade de conhecer uma obra que permaneceu guardada por décadas — e de ajudar a manter viva uma história que não pode ser esquecida.

Algumas histórias são escritas para entreter. Outras existem para que o tempo não apague aquilo que um povo viveu.

Palavras do organizador

Um pequeno tesouro,
um grande legado.

✦

Há livros que chegam às nossas mãos vindos de uma livraria. Outros atravessam o tempo para chegar até nós.

Este pertence à segunda espécie.

Meu avô, José Gomes Correia, escreveu estas páginas ainda nos anos 1980. Nelas, deixou muito mais do que palavras. Deixou lembranças, acontecimentos, lugares, pessoas e fragmentos de uma vida inteira. Deixou, sobretudo, seu próprio olhar sobre o mundo e sobre o tempo que lhe coube viver.

Em 1990, apenas três ou quatro exemplares deste livro chegaram a ser produzidos. Não houve uma publicação propriamente dita, nem distribuição. Foram pouquíssimas cópias, entregues a pessoas próximas. Por isso, durante muitos anos, este texto permaneceu praticamente restrito à família e àqueles poucos privilegiados que puderam guardar um de seus exemplares.

Um deles chegou às mãos de minha tia Carlinda Ferraz Correia, entregue pelo próprio autor.

Anos depois, ainda em vida, tia Carlinda me presenteou com o único exemplar que possuía. Talvez ela não pudesse imaginar a dimensão que aquele gesto teria para mim. Recebi não apenas um livro, mas um pedaço da história de meu avô.

É o meu pequeno tesouro.

Hoje, o exemplar original está velhinho. Suas páginas carregam as marcas dos anos; o papel amarelou e as manchas se espalharam por muitas delas. Mas nada disso diminui seu valor. Ao contrário. Cada sinal do tempo parece confirmar que tenho diante de mim um documento que atravessou décadas para continuar contando uma história. Para mim, seu valor é inestimável.

E há uma emoção ainda maior quando encontro nessas páginas histórias que conheci muito antes de lê-las.

São episódios que tive o privilégio de ouvir da própria voz de meu avô durante minha infância. Ao relê-los agora, é quase possível escutá-lo novamente, contando cada detalhe.

Entre essas lembranças está o episódio em que Lampião foi baleado na Fazenda Tigre. Naquele dia, Santina Gomes de Sá, avó do meu avô, estava em casa quando Lampião e seu bando chegaram à propriedade. Pouco depois, a polícia, que seguia o rastro do grupo, aproximou-se e abriu fogo. Ferido durante o confronto, Lampião precisou ser carregado por seus companheiros enquanto deixavam o local. Décadas mais tarde, essa história, que ouvi ainda menino, permanece viva nestas páginas.

Também está aqui uma aventura pessoal, quando deixou sua terra e viajou para Mato Grosso, em busca de trabalho e de uma vida melhor. Lá chegando, trabalhou em garimpo e enfrentou uma realidade completamente diferente daquela que conhecia. São passagens que revelam coragem para partir, disposição para trabalhar e uma inquietação permanente diante das possibilidades que a vida oferecia.

E há uma história de que sempre me recordo com especial admiração: sua viagem a Brasília, quando se encontrou pessoalmente com o então presidente João Goulart para pedir a instalação de energia elétrica na região da beira do Rio São Francisco.

E foi atendido.

Imagino o que significava, naquele tempo, sair do interior e chegar à recém-construída capital do país levando consigo uma reivindicação de sua comunidade. Mais do que a dimensão do pedido, impressiona-me a iniciativa. Meu avô acreditava que era possível fazer alguma coisa, procurar alguém, abrir um caminho. Onde muitos talvez enxergassem apenas distância e dificuldade, ele enxergava uma possibilidade.

Trabalho, iniciativa e visão talvez sejam algumas das palavras que melhor traduzam o homem que encontro nestas páginas — e aquele de quem me lembro.

Por isso, publicar este livro tantos anos depois possui, para mim, um significado que ultrapassa a simples recuperação de um texto antigo.

É uma forma de preservar sua voz.

Nesta edição, apresento a obra na íntegra, respeitando sua essência, sua narrativa e as memórias registradas pelo autor. Somente na parte dedicada à genealogia foram acrescentadas atualizações, necessárias para incluir as novas gerações de nossa família, nascidas depois da época em que o livro foi escrito. Todo o restante foi preservado, mantendo aquilo que considero mais precioso: a voz original de José Gomes Correia.

Há algo profundamente bonito em pensar que aquelas poucas páginas datilografadas, das quais sobreviveram tão poucos exemplares, possam agora alcançar filhos, netos, bisnetos, tataranetos e as gerações que ainda virão — muitos dos quais não tiveram, ou não terão, a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente.

A eles, especialmente, dedico esta publicação.

Que este livro permita aos descendentes de José Gomes Correia conhecer um pouco melhor o homem que veio antes de nós. Que saibam de onde vieram algumas das histórias contadas em nossa família. Que conheçam suas viagens, suas dificuldades, suas iniciativas, suas aventuras e sua maneira de enfrentar a vida.

E que, ao terminarem estas páginas, possam compreender aquilo que tive a felicidade de aprender não apenas por meio deste livro, mas também sentado diante dele, ainda criança, ouvindo-o contar suas histórias:

José Gomes Correia foi um homem de trabalho, de iniciativa e de visão.

O tempo envelheceu o papel, amarelou as páginas e deixou suas manchas sobre o único exemplar que chegou às minhas mãos.

Mas há coisas que o tempo não consegue apagar.

Hoje, ao publicar novamente suas palavras, sinto que, de alguma maneira, devolvo sua voz ao futuro.

E talvez seja esta a melhor forma de agradecer pelo pequeno tesouro que um dia recebi: não guardá-lo somente para mim, mas compartilhá-lo com aqueles que vieram depois.

Para que conheçam sua história.

Para que saibam quem ele foi.

E para que sua voz continue sendo ouvida.

Tenha uma boa leitura!
Roberto Gomes Correia Filho

Memórias em imagens

O exemplar que atravessou o tempo.

Livro original, que me foi entregue por tia Carlinda Ferraz Correia.

Use as setas ou toque nas miniaturas. Clique na imagem para ampliar.

O que você encontrará

Uma leitura para sentir,
lembrar e compartilhar.

Mais do que registrar acontecimentos, estas páginas guardam a voz de uma época e a identidade de um povo.

01

Memórias de uma vida

Relatos pessoais escritos por quem viveu as transformações, os costumes e os desafios do sertão pernambucano.

02

Histórias que atravessam gerações

Causos, personagens e acontecimentos preservados pela tradição oral — agora reunidos para não desaparecerem no tempo.

03

Um retrato do nosso sertão

Lugares, modos de viver e lembranças de uma época narrados com a autenticidade de quem fez parte dessa história.

Este livro é para você que…

Acredita que conhecer nossas raízes é também compreender quem somos.

  • Se emociona com histórias reais e memórias de família
  • Tem interesse pela cultura e pelo cotidiano do sertão
  • Valoriza relatos autênticos, escritos sem filtros
  • Deseja preservar e compartilhar histórias entre gerações

Sobre o autor

José Gomes Correia, conhecido por familiares e amigos como Zé Yoyô, nasceu na Fazenda Tigre, na zona rural de Floresta, Pernambuco. Era filho de Sérgio Gomes Correia e Maria Anunciada Leal. Homem profundamente ligado à terra, à família e às suas origens, construiu sua trajetória entre o trabalho no campo, o comércio e a vida comunitária do sertão pernambucano.

Durante a juventude, foi comerciante na cidade de Floresta. Mais tarde, voltou-se à atividade de fazendeiro e fundou o povoado de Juazeiro Novo, na zona rural do município, localidade que, anos depois, seria submersa pelas águas do reservatório da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, antiga Usina de Itaparica.

Casou-se com sua prima legítima, Maria Dulce de Souza Correia, com quem constituiu numerosa família. Dessa união nasceram oito filhos: José Gomes Correia Filho (Correinha), Maria José Correia Leal (Yeyé), Maria do Socorro Correia Carvalho, Roberto Gomes Correia, Edvanda Correia de Souza, Zélia Correia Leal, Luís Fernando Correia e Geraldo Gomes Correia. Com o passar dos anos, a família cresceu com a chegada dos netos e bisnetos, aos quais também transmitiu seus valores e o profundo vínculo com as origens familiares.

Embora tivesse tido poucas oportunidades de estudo formal, Zé Yoyô cultivou durante toda a vida uma grande paixão pela leitura e pelo conhecimento. Era comum vê-lo, ao final da tarde, sentado na calçada de sua casa com um livro ou uma revista nas mãos. Talvez justamente por reconhecer o valor do conhecimento, fez questão de estimular os estudos dos filhos e, mais tarde, dos netos, incentivando-os a encontrar na educação caminhos que a vida nem sempre lhe havia permitido percorrer.

Depois de se aposentar, dedicou-se a um dos projetos mais importantes de sua vida: registrar histórias, personagens e acontecimentos da região de Floresta e de seus arredores, para que não se perdessem com o passar do tempo.

A elaboração deste livro foi resultado de mais de dez anos de pesquisas, conversas e entrevistas. Zé Yoyô não se limitou às próprias lembranças. Procurou reconstruir também acontecimentos ocorridos muito antes de seu nascimento, recorrendo à memória daqueles que ainda guardavam relatos transmitidos pelas gerações anteriores.

Para isso, realizou viagens a Petrolândia e região, em Pernambuco, à procura de pessoas mais antigas que pudessem lhe contar sobre famílias, personagens, costumes e episódios da história regional. Ouviu testemunhos, reuniu informações, confrontou lembranças e registrou aquilo que, até então, sobrevivia principalmente na tradição oral.

Seu trabalho adquiriu, assim, uma dimensão que ultrapassa a simples recordação pessoal. Ao colocar essas histórias no papel, Zé Yoyô ajudou a preservar fragmentos da memória de uma região profundamente transformada pelo tempo, pelas migrações e pelas águas do São Francisco.

José Gomes Correia faleceu em 21 de março de 2001, deixando filhos, netos e bisnetos, além de uma história familiar que continuou a se expandir depois de sua partida.

Deixou também estas páginas.

Nelas permanecem não apenas as histórias que pesquisou e registrou, mas algo de sua própria maneira de enxergar o mundo: a curiosidade de quem nunca deixou de aprender, o respeito pelos mais antigos e a convicção de que as histórias de uma família, de uma comunidade e de um povo merecem ser preservadas.

Este livro é, portanto, parte de seu legado. É fruto de muitos anos de dedicação de um homem que, mesmo tendo tido pouco acesso à educação formal, fez da leitura uma companheira constante e encontrou na escrita uma forma de preservar aquilo que o tempo poderia apagar.

Enquanto estas histórias forem lidas, uma parte de Zé Yoyô e do sertão que ele conheceu continuará viva.

EM BREVERetrato de José Gomes Correia, o Zé Yoyô

Consulta genealógica interativa

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Algumas histórias esperam décadas para encontrar seus leitores.

Talvez esta tenha esperado por você.

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